Educação inclusiva avança no Japão e amplia oportunidades para estudantes com deficiência
A educação inclusiva tem avançado de forma consistente no Japão desde que o país assinou, em 2007, a Convenção da ONU sobre os Direitos das Pessoas com Deficiência. A proposta de integrar estudantes com e sem deficiência no mesmo ambiente escolar vem ganhando força, impulsionada por mudanças legais e por experiências bem-sucedidas em universidades e escolas de ensino médio.
Um exemplo recente é o da estudante Momoha Kubota, de 21 anos, que tem deficiência visual e cursa Letras na Universidade Ohkagakuen, na província de Aichi. No último verão, ela realizou um intercâmbio no Reino Unido, tornando-se um símbolo dos avanços na oferta de “adaptações razoáveis” no ensino superior japonês. Durante duas semanas, Kubota teve aulas presenciais, manteve contato direto com professores locais e registrou a experiência em um diário escrito em inglês.
Kubota perdeu a maior parte da visão ainda na infância, em decorrência de um glaucoma congênito, e estudou por anos em escolas especializadas. Seu interesse pelo inglês surgiu no ensino fundamental e se consolidou com o apoio de professores que adaptaram materiais didáticos às suas necessidades. Ao escolher a universidade, buscou uma instituição que valorizasse a leitura em voz alta e a prática oral da língua.

Momoha Kubota (à esquerda), estudante da Universidade Ohkagakuen, em Toyoake, na província de Aichi, conversa com sua professora, Eri Ikawa, sobre sua experiência de intercâmbio no exterior. | CHUNICHI SHIMBUN
A partir de 2024, uma revisão da legislação japonesa passou a exigir que instituições privadas também garantam adaptações adequadas a pessoas com deficiência. Antes mesmo da mudança legal, a Universidade Ohkagakuen já havia iniciado ajustes em seu campus, como instalação de piso tátil, corrimãos e provas de ingresso em braile. Segundo a direção da universidade, a presença de estudantes com deficiência contribuiu para fortalecer a cultura de cooperação e inclusão no ambiente acadêmico.
O caminho até o intercâmbio, no entanto, não foi simples. Inicialmente, instituições estrangeiras alegaram não ter estrutura para receber uma estudante com deficiência visual total. Após negociações, a universidade japonesa organizou um modelo híbrido, combinando aulas on-line e presenciais, além de garantir o acompanhamento integral da aluna durante a viagem.
A inclusão também tem avançado no ensino médio. Em Nagoya, uma escola regular passou a dividir o mesmo prédio com uma escola de educação especial, promovendo aulas conjuntas de artes, educação física e atividades extracurriculares. Festas escolares e eventos esportivos também passaram a ser realizados em conjunto, favorecendo a convivência e a compreensão da diversidade entre os estudantes.
Dados oficiais mostram que o número de estudantes com deficiência matriculados no ensino superior japonês quadruplicou na última década, chegando a mais de 55 mil em 2024. Especialistas avaliam que, apesar dos desafios, o modelo de educação inclusiva tem contribuído para preparar os jovens para uma sociedade mais diversa, colaborativa e acessível.